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Felicidade

Felicidade  Falar de felicidade é, ao mesmo tempo, simples e complexo. Simples porque é um tema que todo mundo conhece e, principalmente, sente. O desafio é traduzir esse sentimento, uma vez que existem inúmeros exemplos e momentos que envolvem essa palavra. Te convido a mergulhar comigo nesse texto e perceber que felicidade, não é uma…

Felicidade

 Falar de felicidade é, ao mesmo tempo, simples e complexo. Simples porque é um tema que todo mundo conhece e, principalmente, sente. O desafio é traduzir esse sentimento, uma vez que existem inúmeros exemplos e momentos que envolvem essa palavra.

Te convido a mergulhar comigo nesse texto e perceber que felicidade, não é uma caixa fechada, limitada. Trata-se de um estado de espírito e de viver como você deseja, independente da sua condição financeira, social ou etária. A verdade é que temos muito a aprender com as crianças e os idosos, cada qual na sua simplicidade nos trazem ensinamentos valiosos.

Passei a observar as pessoas ao meu redor e foi fascinante perceber como cada uma delas vive o momento com tamanha entrega em ações tão singelas. É como se aquela fração de segundo fosse eternizado pelos meus olhos que registrava e observava cada movimente, como uma câmera lenta. A sensibilidade me preencheu. Compartilhei e agradeci aos protagonistas por me proporcionarem um verdadeiro espetáculo, com lições tão enriquecedoras produzidas em instantes. Não foi o suficiente. Preenchida por essa emoção, decidi compartilhá-la nesse texto o qual os encorajo a uma reflexão.

Na sexta-feira, dia 13 de dezembro foi a festinha de encerramento das alunas do Solar Bezerra de Menezes. Ah! Aquelas mãozinhas brincando de slime, (uma espécie de gelatina, grudenta, feita a base de cola e tinta) traduziam o que o sorriso não era capaz de esconder. Quando cheguei, fui recebida com muitos abraços, sorrisos e obviamente aquela gosma colorida. Não me pergunte como, mas havia essa massinha na minha bolsa, roupa, até mesmo no meu cabelo. As meninas estavam animadas e resolvemos brincar de pique esconde, elas queriam que eu me escondesse em cada cubículo que sinceramente, mesmo tendo 1 metro e meio não haveria matemática que explicasse como seria possível tal equação.

Após essa verdadeira farra, comemos bolo e quatro meninas foram presenteadas por apresentarem melhores comportamentos, disciplina, assiduidade durante todo o ano. Fiquei feliz em poder participar desse momento e tenho certeza que só foi possível por meio do nosso projeto social florescer. O rostinho delas expressava entusiasmo. Estavam ansiosas para saber qual era o presente que iria ganhar. A vontade de abrir os presentes naquele momento era notória, mas por orientação da Instituição elas devem desembrulhar somente em casa e educadamente todas obedeceram.

Ao escrever cada palavra me conecto com a emoção daquele momento, minha felicidade era cristalina como água corrente, estampada não só no meu sorriso largo, mas em muitos gestos de carinho, e principalmente, um brilho único no olhar. Abracei as meninas e depois me despedi dos colaboradores, parabenizando-os pelo trabalho impecável frente a Instituição e os valores trabalhados diariamente.

Aqueles momentos foram eternizados em meu coração e nas minhas lembranças, assim como cada ação do nosso projeto.

Minhas princesas, a simplicidade de vocês faz a gente refletir e aprender. Não precisamos de riqueza para sermos felizes, precisamos apenas de criatividade e se permitir. É necessário pensar mais em nós do que nos outros. Quantas vezes temos medo de fazer algo por medo dos julgamentos de terceiros?

De um universo a outro.

Sábado, dia 14 de dezembro de 2019 fui convidada para assistir ao show do MPB4. Honestamente, não conhecia a banda e não era muito um estilo que tenho por hábito escutar, mas o anfitrião estava ansioso para o show e reiterou o convite algumas vezes. A felicidade dele em estar perto de mim me fez refletir. Poderia traduzir como simplesmente um convite, mas não foi. O sorriso largo, a alteração no tom de voz e o abraço apertado certamente são conjuntos de ações que traduzem toda emoção que expressaram sua felicidade ao me receber e levar até a mesa.

Um show agradável, músicas boas, ambiente caloroso, comida saborosa até que uma senhora chamada Cecília me seduziu. Ela dançava livremente, a música fazia parte da alma (dela). Ela se conectou com os instrumentos, a letra, melodia, mas também com tantas lembranças da sua vida.

No meu canto, fiquei de longe admirando sua liberdade em viver. Sua felicidade era contagiante. Intrigada continuei a observá-la. Ela estava feliz, se divertiu, extravasou e não estava preocupada com olhares ou julgamento, simplesmente sentiu e fez o que gostaria naquele momento. Ela sabia brincar com dois Antônimos: Simplicidade e elegância. A simplicidade dos seus movimentos, de como sentia toda aquela emoção, em uma perfeita sintonia atraia olhares. Sua elegância incontestável era traduzida em seu lindo vestido verde de pedras. Quando o show acabou, fui conversar com ela. Seu olhar mostrava a sua experiência e seu sorriso, um verdadeiro aconchego para a alma. Do signo de gêmeos, fez 80 anos, dia 19 de junho e logo me corrigiu: “não me chame de senhora.”. Sua alegria estava tatuada na sua essência e na escolha de como viver.

Naquele momento só consegui pensar. Meu Deus! Obrigada por essa oportunidade. Se tenho um desejo é poder chegar nessa idade com essa lucidez, simplicidade e elegância.

Em poucos minutos, mais ensinamentos. Ela me diz: “A (verdadeira) felicidade é um estado de espírito”. Quanta admiração por um corpo livre e uma mente lúcida.

Aprendemos o tempo todo. Seja com crianças ou idosas. Na verdade, prefiro chamá-los de anjos. Eu, com os meus 29 anos sou grata pela sensibilidade de enxergar a simplicidade nessas ações e refletir e me conectar comigo mesma, buscando o verdadeiro significado de felicidade. Temos um péssimo hábito de reclamar, complicar tudo ao nosso redor. Isso vai nos aprisionando e limitando. Deixamos de se viver por medo de julgamentos.

Em um final de semana eu pude conviver com dois extremos, crianças com 8 anos e uma idosa com 80 anos. Universos distintos que se unem pela simplicidade.  Quantas são as atitudes como essas, corriqueiras do nosso cotidiano que passam despercebidas? Quantas oportunidades perdemos por não valorizar a simplicidade de ações? Esses momentos tornaram-se especiais, porque passei a observar as pessoas ao meu redor. Refletir sobre felicidade é se conectar com a simplicidade. A felicidade não é o quanto você tem de patrimônio, mas sim como você constrói a sua vida. O que você valoriza.

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